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Tendências do varejo para o ano de 2020

“No varejo, a visão não é algo que você tem, é algo que você faz. Um curso de ação. Um plano para o combate. Uma maneira de trabalhar que não apenas prediz o futuro, mas o cria, um dia de cada vez”. Assim se posicionou o texto de apresentação do Retail’s BIG Show, promovido em janeiro de 2020 pela Federação Nacional do Varejo norte-americana. Trata-se do maior evento do mundo realizado pelo setor e que acontece há mais de 100 anos.

A ideia avançada nesse texto é digna de menção porque ela aponta para uma verdade que merece ser reforçada: a visão é algo essencial para os negócios. Mas essa “visão”, como o próprio texto deixa implícito, não pode estar voltada apenas para a conjuntura do presente – o ideal é desenvolver uma postura visionária, aberta para o futuro e para as inovações.

Isso implica uma percepção ampla e atenta da realidade e do que está por vir. Ano a ano, o olhar das empresas deve se voltar para as transformações que estão em curso e que poderão interferir nos negócios, tanto de forma positiva quanto negativa. É assim que chegamos ao conceito de “tendências de mercado”. Trata-se de padrões emergentes de consumo e de comportamento, que revelam enorme potencial de crescimento e que apontam para novas oportunidades de negócio a serem exploradas.

Estar atento a essas tendências significa basicamente três coisas: acompanhar o passo das mudanças, identificar e aproveitar oportunidades e nunca ficar para trás. Neste post, destacamos algumas das mais instigantes tendências para o setor de varejo para ficar de olho em 2020. Continue a leitura e saiba mais sobre o que esperar dos rumos do setor.

O fim do “retailpocalypse”

Podemos afirmar que há um movimento de retorno às origens no setor do varejo. Se em 2010 se dizia que “toda loja precisava de um site” e em 2015 que “toda loja precisa de e-commerce”, em 2020, a ideia é que todo mundo precisa… de uma loja física.

De fato, cada vez mais se desfaz a ideia de que as lojas físicas irão simplesmente desaparecer – o chamado “retailpocalypse”. Os especialistas afirmam que esses espaços serão cada vez mais reinventados, com foco na experiência do cliente (ver item a seguir). Tarefas mais tediosas, como as de logística, de fato, se tornarão cada vez mais automatizadas, mas é preciso levar em conta que os cinco sentidos humanos só podem ser estimulados na loja física. Até agora, nenhum “bot” ou ferramenta de personalização foi capaz de chegar perto de um bom assistente de vendas.

Assim, a loja física começa a ser encarada como uma força, que permite tirar vantagens sobre os aspectos desvantajosos da compra online – frete cada mais caro, sem possibilidade de experimentar, tocar e ver ao vivo, logística reversa, entre outros – e sobre o showroom, se posicionado como uma vitrine da marca.

 

Foco total na experiência

A tendência para os próximos anos é que as pessoas deixem cada vez mais de priorizas as coisas para investir em experiências. Assim, tudo que agrega valor à experiência da compra pode gerar impactos significativos na hora da escolha do cliente.

Nesse contexto, surge a ideia de “retailment” – resultado da união das palavras “retail” + “entertainment”. A loja tradicional, que apenas cumpre o propósito de receber pessoas para a aborrecida e costumeira experiência da compra, vai cada vez mais sendo substituída por alternativas inovadoras, que passam a ver o varejo como espaço físico para o entretenimento dos clientes. Lojas físicas passam a ter um ambiente de venda mais calmo, espaçoso, onde se pode sentar, ouvir uma palestra, interagir com o produto.  Restaurantes, cafés, bars, auditórios e personal shoppers são outras ideias associadas a um foco maior na experiência do cliente.

Falamos aqui também de “experiência” de uma forma mais ampla. Vamos a um bom exemplo. Hoje há uma preocupação crescente com as questões ambientais e éticas relacionados ao consumo. Assim, os clientes têm se mostrado cada vez mais interessados na procedência dos produtos e no impacto que estes geram no meio ambiente. Empresas que investem em práticas sustentáveis, sem dúvida, estão à frente nessa corrida e despertam uma percepção positiva nos consumidores – para estes, a experiência de comprar com uma empresa com esse tipo de postura é bem mais atraente.

Outro exemplo diz respeito a um aspecto central nas compras online: a entrega. Atualmente, as expectativas dos clientes quanto ao tempo de recebimento estão cada vez mais alta, e muitos relatam que prazos de entrega estendidos são um fator que desmotiva a compra. A ideia da “entrega em dois dias” ou mesmo “no dia seguinte” vai ficando obsoleta. Em 2020, na era da instantaneidade, quem compra deseja receber seu pedido “hoje mesmo”, o mais rápido possível. Empresas que investirem e proporcionarem essa experiência sairão à frente. Tecnologias drone para entregar pedidos em 30 minutos ou menos ou até o surgimento de startups de robôs de entrega ficarão cada vez mais comuns.


Economia colaborativa

Esta tendência reflete uma consciência emergente na nossa sociedade e tem por base a ideia de que, dados os problemas sociais e ambientais que enfrentamos na atualidade, a divisão deve progressivamente substituir o acúmulo. Soluções ligadas à economia colaborativa soluções movimentarão 335 bilhões de dólares em 2025, de acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria PwC em 2016.

Exemplos desse tipo de iniciativas incluem desde os aplicativos de carona até o financiamento coletivo. No setor de varejo, falamos de uma grande janela de oportunidades para a criação de produtos e experiências capazes de adicionar valor real à vida do consumidor e de serem compartilhados.

 

Produtos artesanais e personalizados.

Cada vez mais, a exclusividade é vista como uma espécie de trunfo: todos queremos ter algo que mais ninguém tem. Se antes o mercado dos personalizados era algo restrito aos consumidores de alta renda, em 2020 vai ser cada vez mais comum encontrar lojas especializadas nesse nicho a preços acessíveis ao poder aquisitiva de grande parte dos consumidores.

Assim, abre-se uma janela de oportunidade para produtos únicos e artesanais. Falamos desde um media player portátil no qual o consumidor pode mandar gravar a frase que é o seu lema vida até monogramas e bordados em peças de vestuário ou tênis com esquemas de cores exclusivas.

A ideia é que a experiência do consumo se adapte às necessidades e ao estilo do cliente, de modo a que ele se sinta único.

 

Produtos saudáveis

As pessoas se preocupam cada vez mais com a saúde, o bem-estar, a qualidade de vida e a sustentabilidade do planeta. Reflexo disso é o crescimento do mercado de produtos saudáveis, que deve continuar em franca ascensão em 2020.

Mais uma vez, recorremos a um bom exemplo para ilustrar essa tendência. De acordo com uma pesquisa do Ibope Inteligência de abril de 2018, 14% da população brasileira se declara vegetariana – em grandes regiões metropolitanas, como Rio de Janeiro e São Paulo, este número sobe para 16%. Esses números apontam para um expressivo crescimento dos vegetarianos, já que, em 2012, a porcentagem deles era de apenas 8% de toda a população.

Sendo assim, o mercado de produtos vegetarianos ou mesmo veganos (sem qualquer tipo de ingrediente animal) deve apresentar um grande crescimento, representando uma grande janela de oportunidade para a comercialização de produtos voltados especificamente para esse público. De acordo com o site Research and Markets, o mercado de substitutos da carne deve atingir a marca de valia de US$ 6,3 bilhões em 2023 – isso representa um crescimento de 35,8% nos próximos anos.

 

Tecnologia e serviços de automação

O investimento em tecnologias inovadoras é a tendência-chave de 2020.

Inteligência artificial, realidade aumentada, Internet das Coisas, robôs, Softwares as Services: todos esses nomes continuarão cada vez mais a fazer parte do vocabulário das empresas inovadores. Por exemplo, as lojas sem caixas, nas quais os clientes entram e levam os produtos sem passar por filas para pagamento, vão se tornar cada vez mais comuns. As prateleiras inteligentes equipadas com displays permitem que o cliente retire um produto e, em seguida, receba a sugestão de outro item para complementar a compra ou ainda informações nutricionais.

Sem dúvida alguma, a tecnologia ditará os rumos do setor do varejo, modificando profundamente a forma de operação das empresas e sendo um fator decisivo na perenidade delas. Claro que, para ser executado de forma prudente, tudo isso envolve o investimento em segurança digital.

Esperamos que estas tendências ajudem você a repensar e a construir a sua visão para o ano de 2020!

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