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T-Shaped: o que faz esse profissional?

Na língua inglesa, existe um conhecido ditado segundo o qual quem faz de tudo um pouco, não faz nada direito – ou, por outras palavras, “pau pra toda obra é mestre em nenhuma” (“Jack of all trades, master of none”, no original).

Segundo os historiadores, esse ditado teria começado a se difundir no séc. XVIII. Talvez não seja coincidência que, nesse período, a humanidade começava a valorizar a constituição de um projeto de saber especializado, em oposição à mentalidade renascentista que imperou em grande parte dos séculos XV, XVI e XVII.

Basicamente, os renascentistas acreditavam que o ser humano poderia aprender e saber um pouco de tudo. O homem ideal, portanto, era alguém como Leonardo Da Vinci, que entendia de Engenharia, Astronomia, Anatomia e Mecânica e, nas horas vagas, esculpia e pintava obras-primas.

Apesar de muito disseminado, esse provérbio mostra que a sabedoria popular nem sempre está com toda a razão.

De fato, lá se vai o tempo em que os profissionais mais valorizados eram apenas aqueles especialistas em uma só área. Hoje, as empresas entendem cada vez mais a importância de pessoas com visões, conhecimentos e interesses amplos para fazer frente aos desafios da atualidade, que também são múltiplos.

Prova disso é que nas últimas décadas surgiu até mesmo uma designação especial para esse profissional polivalente: “T-shaped”.

Neste post, explicamos o porquê desse nome e mostramos como a abordagem multidisciplinar pode contribuir muito para o crescimento das empresas. Continue a leitura e fique por dentro!

A metáfora da forma do “T”

O conceito de um profissional de “T-shaped”, ou seja, moldado na forma de um “T”, parte de uma metáfora. Nela, a barra vertical da letra T faz alusão à profundidade das habilidades e conhecimentos mobilizados em um único campo do saber; já a barra horizontal indica a capacidade de colaborar em várias disciplinas, em interação com especialistas de outras áreas, aplicando competências e saberes diversos.

Assim:

– A verticalidade representa o domínio em uma área específica – por exemplo, Engenharia ou Análise de Sistemas;

– A horizontalidade representa as habilidades em áreas que possam se relacionar com um ramo de atuação específico – por exemplo, Marketing ou Design.

Se você é um profissional com o perfil “I”, ou seja, verticalizado, é alguém em quem predominam conhecimentos limitados a um dado campo do saber. Se você tem um perfil baseado no eixo horizontal, você é alguém com saberes dispersos e sem profundidade.

O perfil T, por sua vez, é aquele que combina os eixos vertical e horizontal, interconectando os conhecimentos sólidos em uma dada área com outras habilidades e saberes diversos.

A designação “T-shaped” teria sido cunhada na década de 1980, quando já era usada internamente por recrutadores da empresa McKinsey & Company.

Mais tarde, nos anos 1990, Tim Brown, CEO da consultoria de design da IDEO, endossou essa abordagem como um método eficaz para formar equipes de trabalho interdisciplinares e mais bem-sucedidas.

Quais as características esperadas de um profissional T-shaped?

Um artigo publicado na revista Forbes em 2011 lembrava que um clássico exemplo de um profissional com o perfil T foi Thomas Edison, o famoso inventor da lâmpada incandescente.

Edison costumava dizer que buscava inspiração para as suas ideias em Shakespeare e sempre queria que as pessoas ao seu redor soubessem de coisas muito variadas.

Depois de patentear um contador automático de votos, ele abriu uma empresa dedicada à comercialização de inovações que mais tarde ficou conhecida como “Fábrica de Invenção”.

Todos os candidatos a vagas nessa empresa eram submetidos a um teste escrito com 150 perguntas, que incluíam um espectro abrangente de temas: “Quem compôs o ‘Il Trovatore’? Qual é a voltagem usada nos bondes? Quais países fornecem mais mogno? Quem era o imperador romano quando Jesus Cristo nasceu?”.

Assim como Edison esperava que seus inventores fossem também versados em Giuseppe Verdi, as empresas de hoje também querem profissionais que pensem de forma ampla e interliguem os saberes.

Todos os dias somos bombardeados por milhares de informações e cada vez mais tudo parece estar conectado. Assim, o profissional t-shaped é aquele que é capaz de assimilar tudo isso e extrair sentido da diversidade.

Criatividade e raciocínio lógico, inteligência emocional e capacidade de aprendizagem, liderança e curiosidade, conhecimentos específicos e cultura geral: todas essas são características valorizadas atualmente e são elas que fazem diferença na hora de trabalhar em grupo ou de coordenar um.

Quais os benefícios de contar com um profissional T-shaped?

Podemos sistematizar os benefícios que um profissional T-shaped traz para as empresas do seguinte modo:

#1 Une o melhor de dois mundos

Como vimos, o perfil T-shape é o de um profissional completo, que une os pontos positivos de dois eixos completares. Essa é uma grande vantagem.

Ao contratar tal profissional, a empresa contará, simultaneamente, com as características de um especialista e de um generalista, ao mesmo tempo em que vê atenuados os aspectos negativos dessas duas tendências.

#2 Enxerga o “cenário maior”

Nas dinâmicas das empresas, existem tarefas que exigem um perfil mais especialista e outras, mais generalista. Imagine, por exemplo, que uma empresa está desenvolvendo um novo produto.

Nas fases iniciais, conhecimentos técnicos são mais necessários, mas, a partir de certa altura, criatividade, noções de marketing e bom relacionamento interpessoal fazem a diferença.

O profissional T-shaped é aquele que constrói uma visão panorâmica da situação; por acumular experiências diversas, esse profissional consegue enriquecer a visão que ele apresenta e aplica a um negócio ou projeto, produzindo resultados imprevisíveis e originais.

#3 Oferece criatividade e inteligência emocional

Essa história de “cada um no seu quadrado” já era. Cada vez mais percebemos que os setores e as equipes estão interligados.

Portanto, saber interagir e conviver com as diferenças é um trunfo do profissional T-shaped. Ele tanto se dá bem numa discussão técnica, quanto revela jogo de cintura numa situação que exige criatividade.

Unindo conhecimentos sólidos à criatividade e à inteligência emocional, ele tem mais a contribuir.

Conseguimos, assim, compreender por que uma trajetória profissional mais dinâmica e multidisciplinar vem sendo considerada como a melhor opção para o mercado de trabalho na atualidade, altura em que as áreas e as funções já não são mais tão bem delimitadas como antigamente.

Lembre-se de que é importante ter conhecimentos sólidos e expertise em algum assunto, mas sem nunca perder de vista as habilidades e os conhecimentos gerais.

Hoje, é o perfil multifacetado do homem renascentista que melhor se adéqua à nossa realidade e pode, assim, ajudar as empresas a fazerem a diferença e a alcançarem o sucesso mais rapidamente.

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