Mindset: o que é e como utilizá-lo a seu favor

Em 1973, a psicóloga Carol Dweck e outros dois pesquisadores estavam determinados em compreender como as pessoas lidam com fracassos.

Para isso, pediram que diferentes crianças resolvessem sozinhas uma série de quebra-cabeças. Os primeiros eram bastante fáceis, mas os seguintes iam ficando progressivamente mais difíceis. Enquanto as crianças se esforçavam para resolver os quebra-cabeças, os pesquisadores observavam as estratégias e investigavam o que aqueles participantes pensavam e sentiam.

Foi então que, diante de um dos problemas mais difíceis, um menino de dez anos exclamou: “Adoro um desafio!”. Outro, também lidando com um problema difícil, afirmou confiante: “Sabe, eu já esperava aprender alguma coisa com isto!”. Para a surpresa dos pesquisadores, aquelas crianças pareciam gostar do fracasso e saber que as qualidades humanas e habilidades intelectuais podem ser desenvolvidas por meio do esforço, não estando inscritas na pedra. Assim, a possibilidade de falhar não as desestimulava, mas incentiva-as a continuar tentando.

Dweck faz esse relato na já clássica obra “Mindset: A nova psicologia do sucesso”, de 2006. Essa professora da Universidade de Stanford veio a tornar-se uma das maiores especialistas mundiais em motivação, personalidade e desenvolvimento, tendo ajudado a popularizar o conceito de “mindset”.

Trata-se de um termo que está na ordem do dia no contexto corporativo, mas cujo significado real muita gente desconhece. Por isso no post de hoje, explicamos as principais ideias que sustentam a teoria do mindset e mostramos como utilizar algumas dessas premissas em seu favor. Continue a leitura, porque certamente ao longo deste artigo você vai perceber a necessidade de rever algumas posturas e condutas. Vem com a gente!

 

 

Mindset: o que é?

O termo “mindset” um estrangeirismo. Ele resulta da aglutinação de outras duas palavras: “mind”, que significa “mente”, e “set”, que pode ser traduzida de vários modos, mas neste contexto seria algo como “configuração”. Portanto, ao pé da letra, “mindset” equivale, em português, a “configuração da mente”. Pouco esclarecedor, certo? A gente explica melhor.

“Mindset” designa, na prática, o tipo de mentalidade e atitude com que cada pessoa encara a vida. Basicamente, é a forma como organizamos os nossos pensamentos e respondemos às situações do cotidiano. A partir disso, na base da teoria de Carol Dweck, está a ideia de que, embora muitas vezes não nos apercebamos, esse conjunto de “configurações da mente” influencia e muito o nosso comportamento.

Lembra do exemplo das crianças que referimos de início? Então, basicamente a maneira com que elas se sentiram em relação à resolução dos quebra-cabeças mais difíceis influenciaria o sucesso ou falha delas naquela situação específica.

Mas há mais. De acordo com Dweck, algumas pessoas acreditam que o sucesso é baseado em habilidades inatas – ou seja, você nasce sendo um excelente nadador, médico ou humorista. Essas pessoas têm uma visão “fixa” da inteligência (midset fixo). Outros acreditam que o sucesso é baseado em trabalho árduo, aprendizado, treinamento e perseverança – estes têm um mindset construtivo (ou de crescimento).

Os indivíduos podem não estar necessariamente cientes da própria mentalidade que adotam, mas ela pode ser identificada pelo comportamento. Isso é especialmente evidente na relação ao fracasso. Os indivíduos de mentalidade fixa temem o fracasso porque o vêm como um atestado de incompetência, uma ausência de habilidades básicas. Já os indivíduos com um mindset construtivo não se importam ou não temem o fracasso, porque acreditam que o seu desempenho pode ser melhorado com a prática e o esforço – e o próprio aprendizado advém do fracasso.

De acordo com Dweck, essas duas formas de pensar desempenham um papel importante em todos os aspectos da vida de uma pessoa. O mindset construtivo tende a proporcionar uma vida menos estressante e com mais sucesso. Portanto, pessoas bem-sucedidas não seriam necessariamente aquelas com “talento nato”, embora, sem dúvida, “talento” ajude, seja bem-vindo e ajude a compensar muita coisa  –  mas, sim, aquelas que perseveram mais e dedicam-se mais.

 

Um exemplo de mindset construtivo

Tomemos o exemplo do futebolista português Cristiano Ronaldo. Eleito cinco vezes melhor jogador do mundo pela Fifa, desde muito novo, Ronaldo afirmava que iria ser o melhor na sua profissão – essa é, aliás, uma mentalidade muito comum entre os atletas que se tornaram sinônimo de excelência em suas áreas.

Mas apenas essa mentalidade não basta. CR7 é conhecido por ser o primeiro a chegar ao treino (quatro horas antes) e ser o último a sair. “Quanto mais treina, mais pede para treinar. Não está satisfeito nunca”, descreveu um de seus treinadores. Portanto, o seu sucesso é uma combinação de talento ímpar com obstinação e trabalho árduo.

Claro que não podemos generalizar e dizer que todas as pessoas que tiverem o nível de dedicação de Ronaldo terão o mesmo desempenho que ele – isso seria falacioso. Existe, sim, um grande número de razões não só psíquicas, mas também sociais e econômicas que podem fazer alguém ter vantagem sobre o outro. Mas a lição básica a ser tirada deste exemplo é que as qualidades humanas podem ser desenvolvidas, pois elas são presentes imutáveis recebidos à nascença. Se Cristiano Ronaldo pensasse “nasci o melhor do mundo”, certamente não treinaria tanto.

 

Como aplicar o mindset nos negócios?

Dweck ensina que líderes com um mindset de crescimento acreditam no potencial e no desenvolvimento humanos, tanto nos deles próprios quanto nos de outras pessoas. Em vez de usar a empresa como meio de alcançar sucesso próprio, usaram-na como uma “máquina de crescimento” — para si mesmos, os empregados e a empresa como um todo.

Os gestores de mindset fixo buscam apenas o talento pré-existente, julgando os funcionários como “competentes” ou “incompetentes” logo de início. Eles investem pouco em treinamento e, quando os funcionários realmente melhoram, eles talvez nem se deem conta disso, pois estão presos àquela impressão inicial. Eles não lidam bem com feedbacks negativos. Afinal, por que treinar funcionários se eles não podem mudar e por que estar aberto ao feedback deles se você também não pode mudar?

Por outro lado, os líderes com um mindset de crescimento acham que o talento é uma coisa boa, sim, mas é apenas um ponto de partida, que exige trabalho árduo para se desenvolver plenamente. Eles acreditam no potencial de suas equipes; eles oferecem muito mais treinamento em desenvolvimento, notam melhoras no desempenho dos funcionários e recebem bem as críticas. Ao dar feedback para um bom funcionário, eles não dizem: “bom trabalho, você é muito bom no que faz”, mas sim: “bom trabalho, vejo que você se esforçou muito!”.

Portanto, o mindset de crescimento parte do princípio de que ninguém nasceu um gênio e de que não existem pessoas predestinadas ao sucesso ou ao fracasso. Esses indivíduos encaram as falhas como um resultado situacional. É precisamente isso que as desafia a continuar tentando e a buscar novas soluções para os problemas. A verdade é que o fracasso faz parte inerente da experiência humana, e no mundo dos negócios não é diferença – e embora soframos com essa experiência, é com ela também que podemos aprender as lições mais importantes sobre perseverança e resiliência.

E você – em qual mindset você se incluiria? O que precisa fazer para melhorar o mindset da sua empresa e dos seus colaboradores? Propomos uma reflexão sobre essas duas questões – afinal, o mindset é a psicologia do sucesso, e uma simples mudança de postura pode vir a fazer a diferença na sua empresa!

 

Por hoje é só, até o próximo post!

 

PD Sistemas – Gestão de Resultados

 

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